O Ultimo dos Samurai
" A condição do guarda-costas é a resoluta aceitação da morte" -Miyamoto Musachi, Samurai do século XVII- por Mario Zorro PhD

Quando há cerca de alguns anos fui confrontado com o convite para escrever acerca dos famosos e sinistros guarda-costas, recusei por duas razões: a responsabilidade inerente à profissão (Men in Black), e pelo facto de haver perdido o meu melhor colega e amigo durante esse período.
Conheci o Paul (não me foi, por razões de segurança, permitido utilizar o seu verdadeiro nome) durante o nosso internato numa das maiores Escolas de Security Experts do Mundo em formação israelita. O seu permanente sorriso e sociabilidade contrastava com a atmosfera que pairava na Academia, onde a primeira lição a aprender seria: a função de um Segurança é passar despercebido e conseguir "misturar" no meio de um grupo "o objectivo" (conhecido em linguagem operacional como o “Principal”), para que este não seja exposto ou identificado perante uma situação de perigo.
Este procedimento era suportado pela política da organização que, tal como em algumas conhecidas instituições, transmitia entre os colegas de profissão um nobre sentimento de: "Não interessa quem foste, interessa quem és!"
Resumindo, esta característica era simplesmente conhecida como o "Anonimato". O Profile, esse, seria responsabilidade da Empresa e não dos colegas de profissão.
Para Paul e toda aquela turma haviam algumas questões inerentes à profissão que deveriam ser cientificamente analisadas, estudadas e colocadas em prática sempre que necessário. O tema Indução Colectiva relacionado com as multidões" foi algo que serviu de objecto de estudo naquele ano e o qual irei transcrever neste primeiro artigo.
Muitos perguntam, quem são os Seguranças ou Escoltas Profissionais? Qual o seu aspecto? São na realidade aqueles personagens com 2 metros de altura e quase o mesmo de largura? Não, claro que não. Então mas porque motivo continuamos a ver diversos seguranças com um porte culturista evidenciando uma discrepância brutal do seu V.I.P.? Este tipo de profissional, e que me perdoem os porteiros de discotecas, etc., que dispendem muitas horas nos ginásios e que merecem todo o respeito, são conhecidos por desempenhar um outro papel. Garantem, essencialmente, na maior parte das vezes, a abertura de caminho às estrelas de cinema ou a um rock star num ambiente considerado de pouco risco (o factor risco é definido em diversos “Level”). Mas na realidade, por detrás de todo o aparato e na sombra, “o principal “ está quase sempre a ser escoltado pela equipa de homens de negro, os quais na sua grande maioria têm o aspecto do mais comum dos mortais. São eles que se confundem na multidão sem causar suspeitas a um presumível raptor, homicida, ou mesmo um fã com graves problemas de sanidade mental. E o mais importante, dissimular o “principal” entre os personagens em seu redor. A explicação mais simples para tal seria, por exemplo, observar um V.I.P. a assistir a um torneio de Ténis vestindo jeans e com um look desportivo rodeado por seguranças com a famosa indumentária de fato e gravata. Já pensou quão óbvia seria esta imagem?! Como deverá calcular, neste caso todos os escoltas teriam que vestir de forma idêntica, ou seja, simples e prática. De outra forma o principal seria um alvo demasiado fácil de identificar (em especial para qualquer Sniper), se eventualmente vestisse com um look desportivo e estivesse rodeado de homens de fato e gravata.
Mas o que podemos traçar de comum em ambos os profissionais? Diria que somente e sem duvida alguma, a indução que é transmitida (psicologicamente) de “intocável” às pessoas fora do núcleo.
No caso dos chamados seguranças de grande estrutura, existe normalmente em redor um cordão policial com toda a operação de segurança previamente articulada e desta forma este elemento assegura que a multidão não chegue demasiado perto e não provoque qualquer tipo de constrangimento ao cliente. Já imaginou, em directo com câmaras de televisão, um fã desejar beijar a sua favorita estrela de cinema ou música? Pois! Seria um pouco embaraçoso.
De facto, ao apresentarem uma constituição física diferente do V.I.P., é inconscientemente transmitido à multidão, um sinal de intocável (não iremos aprofundar a compreensão destes fenómenos). Resumidamente, podemos abreviar e concluir que o ser humano necessita invariavelmente de ser liderado. Imagine que estamos numa fila e aguardamos infinitamente pela funcionária que está em plena cavaqueira ao telefone. Toda a gente espera e não reage, até alguém começa por interromper e assumir uma posição de liderança – a reacção é dada e várias pessoas da fila começam a protestar e assumem o lado do líder. Aqui, poderíamos mesmo observar uma acelerada formação de um grupo. No entanto, se imaginarmos o mesmo quadro com a presença de um policia, observamos que raramente este "mal estar" é quebrado e dificilmente surge um líder em acção. O mesmo comportamento pode ser observado à porta das discotecas, quando além dos Seguranças existe um ou dois elementos da Policia. Determinamos assim, que o principal motivo pelo qual o trabalho destes profissionais consegue ter sucesso, deve-se quase exclusivamente ao comportamento humano. A estrela de rock ou cinema já produz e transmite uma imagem de “alguém intocável” aqual é reforçada com a presença de diversas pessoas que transmitem uma imagem diferente (porte intocável). Apenas para concluir, pense se alguém da multidão assumisse nestes casos uma posição de líder e tentasse tocar ou retirar à força um cabelo do seu ídolo, como seria árdua a tarefa de 30 seguranças ao tentarem afastar (sem armas) uma multidão de várias centenas ou mesmo de milhares.
Por outro lado, os Seguranças Profissionais (Bodyguard) transmitem essa mesma indução, com base na sua fama, no seu ar sinistro e, maioritariamente, na sua conhecida e larga formação de vários anos (mesmo com armas).
Um Segurança Pessoal Profissional (e que me desculpem todos os profissionais ou ex) tem por detrás um longo conhecimento académico e uma alargada experiência, onde a prática é exaustiva e a aprendizagem constante. A reciclagem do Saber é algo que, tal como um engenheiro de informática, ou é constantemente actualizada, ou o profissional da segurança ficará rapidamente desactualizado.
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